N O V I D A D E S . . .
MANUAL DO ARQUITETO DESCALÇO DO ARQUITETO JOHAN VAN LENGEN
 
  • estudantes de arquitetura interessados em bio-arquitetura
  • pessoas que queiram planejar ou construir sua própria casa, ou orientar um mestre-de-obras contratado

A informação é proporcionada por meio de vários desenhos, quase sempre em perspectiva e da maneira mais clara possível. Parte do princípio que uma imagem pode ser mais explicativa que vários textos.

Apresentação de JAIME LERNER
Editora: TIBÁLivros

21 x 14 cm - 724 p

TIBÁ NO ARQUIPÉLAGO DE MAIAÚ, MA
     

O sol nasce e o dia dos pescadores começa.

Foram quatro dias na busca de soluções ecológicas para vários desafios no abastecimento e filtragem da pouca água doce da Reserva Extrativista de Cururupu, a maior extensão de mangue em existência no mundo. A viagem da equipe do TIBÁ se concluiu ao conceituar o saneamento completo com emissão zero de poluentes e reuso total das águas para os habitantes locais.

Casa bio-climática com teto de babaçu, paredes de babaçu e janelas de babaçu, uma palmeira com diversos usos e de fácil crescimento.

 

Transportes movidos a combustível sustentável, encontrado em grande escala por todo Maranhão.

 

Bioconstrutor aplicando a taipa maranhense, sistema muito sofisticado para levantar muros de terra crua, pois combina os melhores aspectos de todas as técnicas.

Peter Van Lengen com a equipe do IBAMA e INCRA, o Secretário da Reserva e a tripulação do barco UNIVERSO, zarpando da Ilha dos Lençóis de volta ao continente.

Estrutura para o pescador passar 4 dias secando camarão, e resistindo a marés de 7 metros.

A praia de Carrapato, vila de pescadores artesanais e seus excelentes e coloridos barcos fabricados nos estaleiros de Cururupu.

TIBÁ NO PARQUE PALEONTOLÓGICO DE ITABORAÍ
     

Homem de 8 mil anos ganha casa nova na mais recente obra do TIBÁ Arquitetos. Inaugurado para possibilitar a investigação de fóssies de animais e plantas da era pré-glacial, o projeto do Parque foi concebido de maneira socioambiental, priorizando bioarquitetura e agroecologia. Resgatamos um galpão dos anos 50 e construimos um prédio novo, inspirado no estilo arquitetônico da região.

As construções possuem teto verde, captadores de água pluvial, aquecedor solar para água, climatização natural, além de vitrais de garrafas de vidro recicladas para o máximo aproveitamento de luz natural.

 

A obra foi patrocinada pela Petrobrás e cedida à Prefeitura de Itaboraí, onde deverão ser abrigados um museu e um centro de pesquisas. A maior parte dos materiais utilizados na obra como tijolos, pedras, cal, pigmentos minerais, árvores e bambus foram obtidos da própria região. Utilizamos a mão de obra da população da comunidade local, que foi devidamente treinada para construir utilizando ecotécnicas.

O filtro biológico de águas cinzas possibilita o reúso para irrigação da agrofloresta, área onde foram plantandas várias espécies, incluindo pitangueiras e sagús, plantas da época das preguiças gigantes.

BIO-ARQUITETURA E SUAS HISTÓRIAS
 
 

Toda arquitetura consiste em fazer uma cobertura e suas funções são iguais para qualquer ser humano. De um jeito ou de outro, o homem quer se proteger do sol, da chuva, do vento, dos outros animais – enfim, ele quer se sentir seguro dos elementos que podem causar desconforto. Uma casa é para se sentir bem, não interessa se é luxuosa ou se é de um simples material como o gelo, a essência é de nos cobrir e de proporcionar uma área para dormir, trabalhar, conviver, namorar - isso é o que esperamos de uma moradia, e esse é o trabalho do arquiteto: criar um espaço em harmonia.

Tomamos em questão o terreno onde a casa vai ser construída, a terra que vai embaixo da casa e o material que vou aproveitar desse movimento de terra. Se eu for escavar a terra, esta pode virar adobes, massa para reboco, para fazer o forno, os móveis e também para fazer barrancos, canais de água etc. Há que pensar também nas árvores que vou cortar, as que vou manter e as que vou plantar.

Todas as questões de construção estão voltadas ao meio ambiente. Pelo menos na minha vida agora, em todas as obras que nós fazemos utilizamos os recursos naturais e locais, tornando essa vivenda o mais natural e harmoniosa possível. Se a casa precisa de ar condicionado ou de muita luz artificial durante o dia então não é um bom desenho. Essa obra não foi bem estudada e esse morador vai gastar muito dinheiro para luz, água e gás; ou seja, para produzir luz, água e gás na sua casa muita coisa foi sacrificada.
Podemos produzir nossa própria energia, e para isso vamos captar nossa própria água, utilizar o vento e o sol, ou seja, energias renováveis.

   

Então, por que fazer Bio-Arquitetura? Porque é uma maneira de desacelerar o abuso total do meio ambiente e de melhorar nossa saúde. Onde você vive, dorme e come muitas coisas relacionadas à sua saúde mental e física então em jogo.

A própria casa deve ter uma biodiversidade, imitando a natureza. A natureza é perfeita então a usamos para tentar chegar perto dessa essência. Poucos prédios feitos nos últimos cem anos exaltam esse sentimento, e quando eles chegam a ser harmoniosos o morador ou o visitante relaxa e se diverte. Uma casa de mau desempenho - mono material - cria um ambiente frio e uma falta de diferentes estímulos, ou seja, não possui um negativopositivo, que é essencial para se ter a biodiversidade. Por que biodiversidade? Porque o balanço só é estabelecido com a diversidade. Uma coisa só não simula o bom.

A casa pode ter um telhado-jardim e paredes feitas de adobe, pois os dois são isolantes térmicos muito eficientes, mantendo o ambiente fresco de dia e guardando calor à noite. Reciclar todo o lixo. Plantar o que você usa. Não pavimentar grandes áreas. Usar o sol, que fornece a melhor luz e serve como aquecedor para a água de banho e para a destilação da água potável. Criar biomassa no jardim. Ser consciente do que entra e do que sai da casa. Usar um sanitário seco.

   

Na cidade, cada pessoa usa aproximadamente 160 litros de água por dia, sendo que quase a metade é usada no sanitário, água limpa que em meio minuto vira água negra. Xixi no jardim. Filtração e reciclagem das águas cinzas para o reuso. Plantar árvores que dão frutos e flores, atraem animais, fornecem madeira, sombra, folhagem e biomassa. Usar galinhas e peixes no trabalho de jardinagem, adubação, controle de pragas e para gerar alimentos. Criar uma casa sustentável.

Então, os materiais são o começo. O material tem que ter uma sensibilidade: imagina uma camisa de algodão e outra de poliéster. Em qual delas você se sente melhor? Qual respira melhor quando bate o sol?

Um dia, me chamaram para ver um terreno onde o cliente queria colocar um prédio. Vamos ver, o terreno tem isso, do lado tem aquilo, então vamos fazer a casa de aquilo com isso. Sempre o uso de materiais locais, pois assim você garante melhor a conexão com o ambiente. Por exemplo, se você come mel de abelha, o melhor mel que você pode comer é o mel feito pelas abelhas mais próximas do lugar onde você vive. Assim, você está se nutrindo das flores em sua volta, criando defesas ao pólen da flora que te rodeia.

Tudo está conectado, e na verdade tudo é muito simples. Olhe para a vida como se você fosse um sobrevivente e vai compreender que a natureza é útil em mil coisas. A pessoa tem que fazer porque ela gosta de fazer. A parte mais linda da bio-arquitetura é que ela abre espaço para a convivência, de trabalho criativo e solidez, trabalhar com terra e madeira, ter esses materiais na mão e com eles esculpir uma moradia. Ao sentir a satisfação e a alegria que é fazê-lo, a casa sem dúvida terá essa mesma essência de amor.

Peter Van Lengen

TIBÁ EM PORTO
     


A Faculdade de Arquitetura do Porto, projeto do grande Álvaro Siza, foi a sede do curso de cinco maravilhosos dias organizado pela Associação de Estudantes.

 

Fazendo argamassa, material chave para projetos tradicionais e utilizada em poucas quantidades na bio-arquitetura.

 


Preparando o molde para produzir placas de Plasto.

 


Nosso anfitrião, Professor Jacinto Rodrigues, Mestre em Ecologia Urbana.

 


Demonstração da resistência do bambu - Phyllostachys nigra.

 


Johan van Lengen introduzindo as eco-técnicas.

 

A terra do Porto passa pelo teste de composição: barro/areia- deu no meio!

 


Adobe trapezoidal, o estilo africano.

 

O caminho do equilíbrio e trabalho em conjunto.

 


No último dia, em cima da laje de bambu colocamos a lona, areia, terra, grama, brita e acabamentos do Teto Verde.


TIBÁ EM SANTA MARIA, SP
     

 

Tirando e transportando a telha vegetal.

Bambu mirim, canela, massaranduba e jacaré todos os materiais do local.

Levantando as placas de Plasto.

O Bason deitado esperando o acabamento.

O muro de Adobe terminado ao estilo mexicano.

 

O Projeto para o Circuito de Turismo Rural na Agricultura Familiar da ONG ASA Comunidade Ativa, realizado pela equipe do TIBÁ para o Centro Comunitário de Santa Maria, foi um banheiro comunitário e ecológico que dispensa rede de esgoto e é de baixo impacto ambiental, usando a reciclagem como fonte de materiais.

Teto do banheiro.

Vitral de garrafas de vinho e cachaça.

Adicionando esterco de cavalo na cama de Adobe.

Arquitetura clássica caiçara de Santa Maria.

TIBÁ EM CURITIBA
 
Na Semana Acadêmica da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, Peter Van Lengen passou 3 dias entre palestras e a construção de um forno caipira. O ponto forte foi o interesse dos alunos na área de impacto ambiental e uso das técnicas alternativas como o bambu e teto de grama.
   

Fazendo a massa com os pés.

Criando o espaço para a chaminé.

Forno Caipira da UFPR.

Fauna dos parques urbanos.

Estrutura que criou nervosismo entre os engenheiros.

Tratando o bambu com fogo e óleo queimado.

Levantando a estrutura circular.

Festejando o final da obra.

Casa dos primeiros colonos poloneses.

Urbanismo nota 10.

TIBÁ EM MOÇAMBIQUE

As grandes obras do Mestre Paulinho... a reconstrução de Supinho 2 homens, 80 casas em 2 anos.

ZAMBÉZIA, MOÇAMBIQUE - O Prefeito e Sub-Secretário de Supinho, Peter Van Lengen, Mestre Paulinho o bio-arquiteto urbanista, sua família e sua casa, feita em 20 dias

A matéria prima de construção cresce entre as casas.

Janela estilo Supinho.

Canoa dos pescadores, toda feita de uma só árvore.

Sem energia elétrica ou combustível, o impacto ambiental é muito suave.

   
Em 2002 acabou a guerra civil que durou 16 anos em Moçambique. A zona onde Peter van Lengen visitou, a região de Zambezia foi a mais afetada. Toda a infraestrutura industrial foi destruída, bens como fábricas de tijolos, de óleo de coco, de textis, todos abandonados e bombardeados. “A recuperação é urgente”. No meio desse caos esta Supinho, uma comunidade de 80 famílias ao lado da praia e a boca do Rio Namacurra. Há dois anos atrás o rio transbordou e levou a antiga aldeia de Supinho. Hoje há uma aldeia nova, toda feita com materiais da região, o único elemento importado da zona urbana é o cimento para fazer os sanitários secos. Todas as casa são de pau-a-pique, a madeira e a argila são do mangue. Toda a estrutura é feita de madeira do coqueiro, e os tetos são feitos com folhas do mesmo. O mestre Paulinho, autor de todas a casas de Supinho, explicou que as casas têm uma durabilidade de 20 anos, só o teto que leva uma manutenção anual. Todos tem sanitário seco, cozinha externa, poço, pequeno pomar e horta, cobrindo com as necessidades básicas de cada família. Agora, de volta ao Rio de Janeiro estamos projetando uma clinica, uma escola e um hotel para implementar o eco-tourismo. As obras serão realizadas utilizando os conceitos da bio-arquitetura e permacultura.
 

Porta principal com detalhes feitos com conchas do mar.

Aplicando argila nas paredes de uma casa nova.

Ruas de areia e zero lixo, tudo é reaproveitado.

TIBÁ NA CHAPADA DIAMANTINA
 

 

Panorama de Dipankara, local onde a equipe do TIBÁ esteve projetando um novo monastério Budista.

Antiga casinha de adobe no centro de Mucuge.

 

 

Rua em Mucuge, município que se interessou no uso do BASON nas trilhas dentro do parque e na redução urbana de esgoto.

Passamos por Salvador e vimos o uso alternativo
para a telha de canal, agora a parede exterior
sofre zero umidade.

 
EQUIPE TIBÁ DA OFICINA DE BIOARQUITETURA EM SALVADOR

 

Salvador da Bahia - Os estudantes no final de três dias intensos de bio-arquitetura. Temas com ênfase no processo ALFA, projetar com a intuição, bambu, adobe, teto verde e PLASTO (tipo de ferrocimento, só que com plástico reciclado) foram ministradas. A turma curtiu muito os exercícios de desapredizagem e o despertar do lado direito do cérebro.

 


PROJETO BASON NA PRAINHA DO CANTO VERDE

PARTICIPANTES DA OFICINA DO BASON

A equipe do TIBÁ passou 4 dias na Prainha do Canto Verde realizando uma oficina do BASON.

O projeto que traz soluções de baixo custo para saneamento ambiental foi assistido por representantes de 5 comunidades do Ceará, que são: Prainha do Canto verde, no município de Beberibe, Lagamar e Planalto Pici, em Fortaleza, Camurim, em Itaiçaba e Nova Esperança, em Aracati.

 
 

Com o objetivo de capacitar as comunidades na construção dos sanitários secos, o arquiteto e fundador do TIBÁ Johan van Lengen que está há 22 anos no Brasil e já implantou a novidade em alguns estados, ensinou aos participantes como fazer as placas, montá-las e como instalar os acessórios (assentos, tubos de ventilação e tampas), e com eles construiu durante a oficina o primeiro sanitário ecológico do Estado.

A beleza do Bason é seu funcionamento, com zero uso de água e conservando o lençol freático limpo dos tradicionais métodos de esgoto; problema sério na região. O Bason foi aceito com entusiasmo pelos representantes como uma grande solução.

Este sistema será implantado nessas cinco comunidades, que possuem diferentes cenários do Estado (costeiro/urbano/rural). Serão desenvolvidos materiais educativos para promover o uso e aceitação desta tecnologia e conscientizar a população da importância dos hábitos de higiene.

"A Utilização deste método será acompanhado ao longo de um ano por técnicos, agentes de saúde e lideranças comunitárias" afirma René Schärer fundador do Instituto Terramar quem nos convidou a participar de este projeto.

Os resultados serão avaliados e apresentados para organizações de saúde nacionais e internacionais, entidades do governo e a sociedade civil do Brasil. As comunidades beneficiadas poderão tornar-se referência para trabalhos semelhantes em outras áreas do estado e do país.

E C O - T É C N I C A S
São soluções alternativas e de baixo custo em habitação, saúde, energia, agricultura, educação e comunicação.

CASCAJES
São tetos feitos de painéis abobadados com uma largura de 50 cm e podem cobrir um vão de até 4 metros. Alem de ser pré-fabricado, este sistema de ferrocimento tem a vantagem de economizar material básico, cimento, pois os painéis são muito finos, com um pouco mais de 1 cm de espessura, engrossando até uns 3 cm nos cantos. As cascajes podem ser usadas tanto como tetos ou como lajes para poder fazer a casa em vários estágios depois. Neste caso o teto vira laje sem mexer com a estrutura, só precisa nivelar os vales entre as curvas.

CASA PRÉ-MOLDADA
É uma casa construída com todos os elementos pré-moldados, utilizando-se a técnica do plasto com exceção das paredes que são construídas de forma tradicional, ou seja, de pau-a-pique ou tijolos.

CAIXA D’ ÁGUA
Pode ser construída com a técnica dos plastos. Sendo assim, sua resistência e durabilidade estão relacionadas com a configuração, ou seja, com a forma que as placas de cimento serão montadas.

PLASTO
É uma técnica que substitui a argamassa armada - também conhecida como ferrocimento - pois utiliza na sua produção tela de fachada no lugar da tela de galinheiro, construindo finas placas pré-moldadas (12mm de espessura). Com essas placas são montadas caixas d’água, escadas, filtros, móveis e lajes.

BASON
E um sanitário seco que substitui o tradicional vaso sanitário, onde inclusive deve-se jogar os restos orgânicos domésticos. Todo esse material sofre o processo biológico da compostagem aeróbica e se transforma em adubo.

FILTRO BIOLÓGICO
Tem por finalidade filtrar a água da chuvas, nascentes e açudes. A passagem lenta da água pela areia permite, após três dias, que se forme sobre a superfície de areia, uma camada de limo que fará a filtragem fina. Este limo é um eficiente filtro biológico que trabalha retendo e digerindo microorganismos nocivos por ventura existentes na água.

SILOS
São uma construção impermeável que tem por finalidade armazenar cereais. São construídos com argamassa e sacos de plástico, através de uma técnica chamada plasto, adquirindo a forma de uma bola de futebol. Os silos de plasto também podem ser usados como caixa de água e basta, para isso, reforçar a base com apoios feitos com tijolos. Pode-se armazenar assim uns dois mil litros.